Engenharia genetica

Trabalho de biologia proposto pelo docente José Salsa, com o interesse de nos dar a conhecer e de poder também informar outros cibernautas sobre este tema, principalmente abordando os assuntos éticos e sociais que a engenharia genética acarreta. Bem vindo ao mundo, onde os sonhos e os maiores medos são realidades!

quarta-feira, março 22, 2006

células-tronco - importortância


" O anúncio feito, no dia 25 de novembro de 2001, pela empresa norte-americana Advanced Cell Technology Inc. (ACT), de que havia concluído a primeira clonagem de um embrião humano, reacendeu a discussão sobre o tema em todo o mundo. Os cientistas produziram um embrião a partir de células da pele de um paciente. Se implantado em uma mulher, o embrião clonado teoricamente poderia dar origem a um ser humano.
O objectivo da clonagem, no entanto, não foi a reprodução, mas sim a obtenção de células-tronco com fins terapêuticos (para serem extraídas do embrião e implantadas no paciente). A vantagem dessa técnica seria a de não oferecer risco de rejeição, pois as células-tronco teriam exactamente as mesmas informações genéticas que o paciente. Mas o transplante não chegou a ser realizado porque o embrião sobreviveu apenas 72 horas.
O que torna a célula-tronco particularmente importante é a sua capacidade de se transformar em diferentes tipos de células. Os cientistas vêem nessa "metamorfose" o potencial tratamento de doenças que afectam milhões de pessoas no mundo. As pesquisas representam uma nova esperança para portadores de doenças neurológicas, diabetes, problemas cardíacos, derrames, lesões da coluna cervical e doenças sanguíneas.
As células-tronco podem ser embrionárias (formadas no interior do embrião nos primeiros cinco dias após a fertilização do óvulo) ou adultas (encontradas em tecidos maduros, tanto no corpo de crianças quanto de adultos). A diferença entre elas está na capacidade de se transformar em outros tipos de células. Enquanto as embrionárias transformam-se em praticamente qualquer célula do corpo (por isso são as mais promissoras para pesquisas), as adultas é mais especializadas e dão origem a tipos específicos de células.
No estágio inicial, as células do embrião ainda não "decidiram" se vão virar célula de sangue, pele, músculo e etc. As células-tronco embrionárias podem ser induzidas a transformarem-se em células sanguíneas, musculares, hepáticas, de pele, células secretoras de insulina e até em neurónios. Os pesquisadores geralmente obtêm células-tronco embrionárias de embriões descartados em clínicas de fertilidade (embriões que não são implantados num útero e nem destruídos).
Na opinião do professor em Hematologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Costa, a contribuição da clonagem de embrião humano seria a de fornecer células-tronco para diferentes tipos de transplantes. A geneticista Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), considera válida a experiência de clonar um embrião para a retirada de células-tronco. "É uma óptima alternativa para evitar a rejeição no transplante, mas que não se justifica para a reprodução", acrescenta.
O uso de células-tronco substituindo células de áreas danificadas não tem nenhuma relação com a clonagem. O transplante de medula óssea, utilizado no tratamento de algumas formas de cancro, é o exemplo mais comum de transplante de células-tronco. Neste caso, as células-tronco são retiradas da medula óssea ou do sangue periférico do cordão umbilical de doadores ou do próprio paciente. Preferencialmente o doador deve ser compatível com o receptor. A exigência da compatibilidade e o reduzido número de pessoas dispostas a fazer doação fazem com que muitos pacientes fiquem um longo período na fila de espera por um transplante. O Registo Nacional de Doadores Voluntários de medula óssea tem 16 mil pessoas inscritas. Um banco, para ser eficiente, deve ter no mínimo 50 mil doadores.
Potencial das células-tronco adultas
O processo de rejeição à célula-tronco é o mesmo que ocorre em qualquer transplante. O corpo do receptor, a menos que seja tratado com drogas imunossupressoras, rejeitará a nova célula. Neste caso, as células-tronco adultas apresentam maior vantagem do que as embrionárias. Elas oferecem a possibilidade de ser retiradas do próprio paciente, evitando o risco de rejeição.
"Do ponto de vista ético é excelente. Não precisar de clone de embrião ou uso de células embrionárias. Só que, por enquanto, não se sabe exactamente quais os factores que as fazem diferenciar-se", diz a neurocientista Rosália Mendes Otero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que integra o projecto Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual, apoiado pelo CNPq. O grande desafio é fazer com que as células-tronco adultas se transformem em células de outros órgãos, como fazem as embrionárias. Essa nova área de pesquisa trata de conseguir separar as células imaturas (com pouco compromisso de diferenciação e por isso mais semelhantes com as embrionárias) das maduras. Em laboratórios, com uso de determinados marcadores poder-se-ia mobilizar as células adultas imaturas e tentar transformá-las em células de diferentes tecidos ou órgãos.
Embora com limitações, as células-tronco adultas também têm plasticidade. Estudos experimentais em animais já comprovaram a possibilidade de transformar uma célula-tronco adulta do sangue em células de outros tecidos, como fígado, músculo e vasos. Na Alemanha, um paciente infartado teve o miocárdio (músculo do coração) recuperado após transplante de células-tronco retiradas de sua medula óssea."

excerto de uma reportagem proveniente do www.comciencia.br